Não precisa ser programador: o que 400 mil sessões de Claude Code mostram sobre quem usa IA pra construir
por Dudu ·
Pra usar o Claude Code bem, conhecer o assunto pesa mais do que saber programar. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa da Anthropic, publicada em 16 de junho de 2026, que analisou cerca de 400 mil sessões de Claude Code de mais de 200 mil usuários. Na mesma semana, o Google Cloud lançou um padrão pra guardar o conhecimento das empresas em arquivos de texto que agentes leem e editam.
Este post resume os números da pesquisa e mostra por que as 2 notícias apontam pra mesma direção. Se você quer entender como montar esses arquivos de instrução, o post sobre o AGENTS.md e os projetos do Claude complementa este.
O que a pesquisa da Anthropic mediu
A pesquisa, chamada “Agentic coding and persistent returns to expertise”, olhou como as pessoas usam o Claude Code no dia a dia.
Os números que mais chamam atenção:
- as 10 profissões que mais usam o Claude Code ficaram a no máximo 7 pontos dos engenheiros de software na taxa de código que funciona de verdade;
- quem é especialista no assunto faz em média 12 ações por pedido, contra 5 de quem está começando;
- o valor médio das tarefas feitas com o Claude Code subiu cerca de 27% entre outubro e abril;
- mais da metade das sessões é pra escrever ou consertar código, e cerca de 20% é pra operar algum software.
A frase que resume o estudo, em tradução livre: a expertise no assunto, e não a habilidade de programar, é o que amplia o uso. A diferença entre especialistas e pessoas de nível intermediário existe, mas é modesta. A thread da Anthropic sobre o estudo passou de 860 mil visualizações.
Por que o conhecimento do assunto pesa mais
O conhecimento do assunto pesa mais porque é ele que diz o que pedir e como conferir o resultado.
O agente escreve o código. O que ele não sabe é qual problema vale resolver, quais exceções existem na rotina da empresa e como reconhecer quando a resposta está errada. Quem trabalha há anos numa área sabe tudo isso, e é por isso que um contador, um gerente de operações ou uma pessoa de marketing conseguem construir ferramentas úteis sem ter estudado programação.
O conhecimento da empresa virou pasta de arquivos de texto
Na mesma semana, o Google Cloud lançou o Open Knowledge Format, um padrão aberto pra guardar conhecimento em markdown e YAML, formatos de texto que agentes de IA leem e editam.
A ideia é simples: se o conhecimento da empresa está em arquivos de texto organizados, qualquer agente consegue consultar e atualizar. A gente trabalha assim na DobraLabs. O funil de propostas e o histórico de cada cliente vivem em arquivos markdown, atualizados por uma skill do Claude Code, e um painel em HTML é gerado a partir deles.
O que fazer com isso
Coloque quem conhece o problema pra construir junto com a IA, em vez de esperar a fila do time técnico.
O primeiro passo é dar à equipe o letramento pra usar a IA com critério. O segundo é organizar o conhecimento da área em arquivos que um agente consiga ler: processos, regras, exemplos, exceções. Nos nossos workshops de IA pra empresas, cada área trabalha problemas da própria rotina, e a turma avançada chega a construir skills e automações com o Claude Code.
Tema do episódio 21 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como corte em vídeo. Fontes: a pesquisa da Anthropic, a thread da Anthropic no X e o anúncio do Open Knowledge Format pelo Google Cloud.
Perguntas frequentes
Precisa saber programar pra usar o Claude Code?
Segundo a pesquisa da Anthropic com cerca de 400 mil sessões, não é o fator principal. As 10 profissões que mais usam o Claude Code ficaram a no máximo 7 pontos dos engenheiros de software na taxa de código que funciona de verdade. O que mais pesa é conhecer o assunto do problema.
O que a pesquisa 'Agentic coding and persistent returns to expertise' mostrou?
Que a expertise no assunto, mais do que a habilidade de programar, amplia o uso do Claude Code. Quem conhece bem o tema faz em média 12 ações por pedido, contra 5 de quem está começando, e o valor médio das tarefas subiu cerca de 27% entre outubro e abril.
Por que guardar o conhecimento da empresa em markdown?
Porque markdown é um formato de texto simples que pessoas e agentes de IA leem e editam. O Google Cloud lançou em junho de 2026 o Open Knowledge Format, um padrão aberto em markdown e YAML pensado justamente pra agentes lerem e atualizarem o conhecimento de uma organização.