A era do software de padaria: quem entende do problema virou quem constrói

por Dudu ·

A era do software de padaria: quem entende do problema virou quem constrói

Quem entende do problema virou quem constrói o software. A Elena Verna, head de growth do Lovable, chamou esse momento de era do “mom-and-pop SaaS”, algo como o software de padaria: o corretor, o dentista e o contador construindo as próprias ferramentas com IA, sem passar por um time de desenvolvimento.

Este post traz os números que ela divulgou, a tese por trás e a ressalva que vale antes de colocar o negócio em cima de um software feito assim. O tema conversa com outro que já tratamos por aqui: construir em vez de assinar software.

A tese do software de padaria

A Elena Verna publicou o texto “The Mom-and-Pop SaaS era has arrived” em 18 de junho de 2026.

A tese: a conversa sobre IA mudou de “o desenvolvedor produz mais rápido” pra “quem entende do problema virou quem constrói”. Antes, o especialista no assunto explicava a necessidade pra um desenvolvedor, e muitas vezes saía um software que resolvia pela metade, porque o detalhe que importava se perdia na tradução. Com ferramentas de IA, a pessoa que vive o problema monta a solução ela mesma.

Quem está construindo

Os números vêm do próprio Lovable, a plataforma de criação de software com IA onde a Elena Verna trabalha:

  • 80% de quem constrói na plataforma vem de áreas não técnicas;
  • 55% tem mais de 11 anos de experiência profissional;
  • 80% quer ganhar dinheiro com o que constrói;
  • 35% já fatura.

O retrato é de profissionais experientes, que conhecem muito bem um problema e agora conseguem transformar esse conhecimento num produto. Vale lembrar que os dados são de uma empresa que vende essa ferramenta, então fazem parte da mensagem dela.

Mais software barato, mais software

A Elena Verna cita o paradoxo de Jevons pra explicar o que vem a seguir: quando fazer software fica mais barato, aparece mais software, e não menos.

Ferramentas de nicho que nunca compensariam pra uma empresa de software grande passam a existir, porque quem precisa delas consegue construir. É a mesma lógica que já apareceu na pesquisa da Anthropic sobre o Claude Code: conhecer o assunto pesa mais do que saber programar.

A ressalva antes de colocar o negócio em cima

Software feito pra validar uma ideia e software que sustenta uma operação são coisas diferentes.

A primeira versão, feita por quem conhece o problema, é ótima pra provar o valor. Quando o sistema passa a ter muitos usuários, dados de clientes, pagamentos ou integrações com outros sistemas, segurança e manutenção podem pedir alguém com experiência técnica. O caminho que costuma funcionar é usar a versão feita com IA como protótipo e, quando ela provar o valor, reconstruir as partes críticas com cuidado.

Se você tem um protótipo que já provou o valor e precisa virar um sistema de verdade, dá pra pedir um orçamento pra gente.


Tema do episódio 21 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como corte em vídeo. Fonte: o texto da Elena Verna.

Perguntas frequentes

O que é a era do 'mom-and-pop SaaS'?

É o nome que a Elena Verna, head de growth do Lovable, deu ao momento em que pessoas sem formação técnica passaram a construir o próprio software com IA. O corretor, o dentista ou o contador, que antes explicavam o problema pra um desenvolvedor, agora constroem a solução diretamente.

Quem está construindo software com IA sem saber programar?

Segundo os dados do Lovable divulgados pela Elena Verna, 80% de quem constrói na plataforma vem de áreas não técnicas, 55% tem mais de 11 anos de experiência profissional, 80% quer ganhar dinheiro com o que constrói e 35% já fatura.

Software feito por quem não é programador dá conta de crescer?

Pra começar e validar a ideia, dá. Quando o software passa a ter muitos usuários, dados sensíveis ou integrações com outros sistemas, segurança e manutenção podem pedir alguém com experiência técnica. O ideal é tratar a primeira versão como protótipo que prova o valor.

bem-vindo a era da internet IA